sábado, 22 de novembro de 2008

E por um momento olhei pra você e não me reconheci ali, naquele par de bolinhas estranhas a me fitar. O cheiro não era aquele momento. O ácido e cru cheiro da dor vieram, sem nenhuma educação, sem licença ou por favor, e fizeram a festa no meu pensamento e coração, enchendo de tapurus tentando estragar o tom cor-de-rosa que ali havia. E eu, doente e podre, senti estranheza naqueles braços doces e imperfeitos, que a pouco me satisfaziam com gritos altos, fogos de artifício e cheiro do presente. E que coitada de mim, suja e porca com as bestas do tempo, de um relógio que já não tica mais.



outubro/08