segunda-feira, 31 de março de 2008

ssshhh!!

Dentro do carro, naquela velocidade as coisas sempre pareciam estar todas embassadas. O colorido era todo um só, uma mistura danada que não dava pra entender o que era azul e o que era ocre. Dali de dentro, não dava pra se olhar por inteiro num reflexo, como se faz na beira dos lagos. Dali só se via o mundo, o mundo de outros.

E a menina se acostumou tanto a andar dentro do carro, que não mais percebia que podia sair, andar com calma. Sentir o cheiro da grama no dia de chuva e andar por pequenos becos (daqueles, como na espanha), ao invés daquelas ruas enormes sempre movimentadas, cheias de faróis e barulho.

Ela precisava aprender a escolher o silêncio.

2 comentários:

Anônimo disse...

O carro pode ser um ótimo ponto de vista
O carro pode ser reduto do silêncio
O carro pode ser sua presença
O carro também é gente, menina cela!

(Ah, mas eu não sei dirigir!)

Adorei o seu texto!

Mariana Trajano

Kamila disse...

porra, texto do caralhoo. gostei mesmo. botei tu nos meus favoritos.