sábado, 5 de abril de 2008

voou, pronto.


Como boa andorinha que é, ela voou novamente.

Era uma andorinha feliz. Branca e bela como as nuvens daquele céu, sua morada e onde amava voar. Bem pequenina comparada ao céu, a andorinha sorria e cantava cada vez que levantava vôo sobre aquele mar imenso. Já havia viajado pelos lugares mais bonitos, e pelos mais feios também. Mas nada disso importava, pois o céu estava sempre ali, a liberdade estava sempre ali.

Como uma boa andorinha desobediente, quebrava todas as regras, cismando sempre em pousar em cada lugarzinho por onde passava (o que era terminantemente proibido!). Tentava todas as vezes construir seu ninho, com cara de casinha nova, mas nunca conseguia. As outras andorinhas já haviam lhe avisado, mas ela não se prestava a ouvir. Eram lamentações de quem nunca construiu uma casinha com cheiro de nova, aconchegante e cheia de sonhos.

Havia parado a algum tempo naquela floresta estranha. Bela, porém estranha. Tentou construir um ninho, mas lá praquelas bandas não tinha palha nem resto de folha que prestasse. Talvez nunca fossem prestar, pra aquecê-la era necessário a palha mais forte e a flor mais cheirosa.

Levantou vôo, meio tonta, mas ainda assim conseguiu bater as asas livremente, como era sua essência. Ainda tinha as asinhas branquinhas quebradas, mas um ou outro animal vinha ajudá-la, e finalmente conseguiu voar. Os outros bichinhos já comentavam e cochichavam uns com os outros onde ela iria pousar da próxima vez. Que pena, nem a andorinha sabia. Talvez voasse com vento no rosto durante muito tempo, talvez encontrasse com outras andorinhas e voassem juntas, ou talvez (mais uma vez), tentasse construir um ninho com palhas lá não muito boas.

Por enquanto ela só voava, feliz da vida por sentir o cheiro da liberdade do ar mais uma vez, naquele céu que parecia ser só seu.

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